Miragem

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A familia

E assim nasciam muitas crianças de norte a sul pela aldeias de Portugal, numa época em que faltava quase tudo até as coisas mais básicas,como os cuidados básicos de saúde..E assim nasceu Clara naquela noite fria de inverno.


Clara viria então a ser o nome desta criança.A ultima filha do casal no conjunto de 6 irmãos,quatro rapazes e duas raparigas.Viria a ser mais um membro nesta aldeia do litoral do pais,nas margens do Vouga.

Clara,do latim "Clara",ilustre,brilhante,marcará para sempre a personalidade desta mulher,como se o nome fizesse parte do código genético e participasse na formação do carácter.E Clara passará a sua vida á procura da luz,da sua luz interior.Da Claridade do espírito.

O seu pai,Manuel era um homem do campo,rude endurecido pelas dificuldades da vida e principalmente pela falta de amor,dividia o seu tempo entre as terras que cultivava e os animais que criava,e a fabrica onde retirava o principal sustento da família.

A ausencia do pai na hora do parto,viria a ser um pronuncio do que viria a ser a relação entre ele e a filha,uma relação distante ,de quase ausencia,nas etapas pricipais no desenvolvimento e no crescimento de Clara.Nos momentos importantes que marcarão para sempre o seu percurso o pai será sempre uma figura ausente

Joana,a mãe que amava mais do que tudo na vida,era uma mulher humilde,apagada,triste,submissa ao marido,no entanto uma mulher que se dedicou inteiramente ao amor pelos filhos,esqueceu-se de si própria para que os filhos fossem felizes.Tinha sido no seu tempo uma mulher muito bonita,mas a crueza da vida e os partos sucessivos tinham-lhe marcado o rosto muito cedo.Era uma mulher envelhecida no corpo precocemente,como eram todas as mulheres desta época.
As marcas trazia-as na alma, tatuagens marcadas com a lamina da dor e do desespero,
O olhar triste, mãos trémulas corpo sem vitalidade eram as testemunhas das feridas que lhe sangravam na dor de viver.
O gosto pela vida perdera-o há muito, num tempo em que ainda acreditava que a felicidade poderia ainda estar por detrás da porta.
Vivera a vida sob o jugo das ofensas e das humilhações.
Tantas vezes ouvira que não tinha valor, que de tanto ouvir acreditava mesmo que era inútil
Ninguém compreendia este seu estado de apatia, porque há muito aprendera a calar a dor que trazia no coração.
Perdera a esperança, a alegria, a luz que lhe iluminava o olhar de criança. Vivia os dias com o luto vestido no rosto, já nada tinha importância. Só lhe restava uma única vontade. A de morrer.Joana era uma mulher marcada pela violência silenciosa. aquela que não marca o corpo, mas mata os sonhos, as ilusões, a vontade de viver.

Clara passou a sua mais tenra infância no meio deste núcleo familiar,era uma criança feliz,gostava do campo,da liberdade,de falar com os animais.Até aos 10 anos dividiu o tempo entre a escola primária e a ajuda nas lides do campo.

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